domingo, 20 de abril de 2014
caos e esquizofrenias... attravesiamo?
Quanto tempo ficamos escondidos entre pensamentos do passado, do pressente e do futuro? Mas quando nos damos conta que o passado não é algo que ficou para trás, mas que se encontra numa relação de simultaneidade com o presente e o vivido. Se o presente é o tempo que atua que opera, o passado é o que pode atuar, operar. Podemos assim pensar juntos com Henri Bergson (2010, p. 280) que a memória não consiste em “uma regressão do presente ao passado, mas, pelo contrário, num progresso do passado ao presente”. Para pensar sobre a memória este filósofo usa a metáfora de um “cone invertido”, em que nele há um plano virtual, o passado se converteria por inteiro, e nos acompanharia o tempo todo. No vértice do cone, as lembranças são atualizadas na medida em que o presente apela e a lembrança responde, e é daí que esta “... retira o calor que lhe confere vida” (2010, pg.179) .
Faz um tempo que sinto a necessidade de pensar em público e ensaiar palavras que me levam a atualizar minhas lembranças que estão lá no meu “cone invertido” e trazer aqui o Bergson, como primeiro parceiro deste espaço virtual, serve para que eu consiga esclarecer minha necessidade de invenção desse lugar, que será de caos e esquizofrenia, e que você está a visitar neste momento. Aqui, pretendo compartilhar minha percepção de experiências que vi e vivi, de modo que eu consiga inserir um tanto da minha memória na minha percepção, na ação presente, em um exercício contínuo de atualização.
Ouvi pela primeira vez a palavra “attravesiamo” no filme Comer, Rezar e Amar protagonizado pela atriz Julia Roberts, fiquei a pensar e percebi que todos nós vivemos atravessando, mudando, avançando, fluindo e fruindo todo o tempo. Mas, mais importante que a tradução da palavra e os seus variados sinônimos, me tocou perceber que esta palavra esta conjugada no pronome nós – nòi em italiano. Sempre pensei a vida como caminhos a serem percorridos, eu poderia usar “attravesiamo” durante a minha vida toda, para tudo o que fiz. E estando ela na primeira pessoa do plural e não do singular me diz muito... Quem vive sozinho? Quem consegue viver sozinho? Nem o Chuck Noland (Tom Hanks – Náufrago) conseguiu, Wilson que o diga...
Então é a partir destas divagações que o convido a pensar, refletir, diante de uma caosmose infinita, filmes, músicas, poesias... Attraversiamo!
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